sexta-feira, 10 de abril de 2015

PAÍS MAGNUS TAPADUS SUMUS



                        PAÍS MAGNUS TAPADUS SUMUS




Havia um país chamado Magnus Tapadius, onde havia um presidente chamado Extra-ordinário que governava sua plebe chamada de Ordi-nários. Em um passado não muito distante, o país Magnus Tapadius exalava um hálito quente e inebriante. Havia cachoeiras de águas encantadas, frutas doces e deliciosas, com cores que faziam qualquer vista ficar turva de prazer. O povo era demasiadamente feliz em sua terra, porque tudo que plantavam florescia. Este lugar tinha ainda como enfeite maravilhoso os vários passarinhos cantadores que entoavam, todos os dias, uma sinfonia da natureza. O mais belo deles era o Uirapuru que cantava livremente e alegrava a todos, por isso este país tinha como nome, no princípio, Terra do Uirapuru, pois este pássaro era o que mais imitava sublimemente o som belo da natureza e expressava a alegria livre do povo. 

Neste lugar, as pessoas estavam tão preocupadas em aproveitar suas delícias que resolveram escolher um governante para cuidar das coisas burocráticas, enquanto os mesmos aproveitavam sua terra encanta. Um homem que amava dar ordens resolveu assumir a função de governante desta terra e o mesmo renomeou o lugar de Magnus Tapadus, mas para governar bem, construiu uma casa bem distante de todas as riquezas sedutoras e a chamou Covil Magnus. Logo que assumiu, o homem começou a destruir estas riquezas naturais e o povo começou a migrar para perto da casa Covil Magnus e lá começaram a construir pequenos covis. 

Depois de um tempo nesta nova estrutura, a população estava começando a ficar revoltada devido a problemas no pequeno guardador de dinheiro público, na pequena escola, na fábrica em que trabalhavam e, por fim, no pequeno hospital público. Um homem viu sua filha ir à escola, ser atingia por uma bala feroz direcionada por um perverso menino. Ele tentou salvar sua filha. Quando chegou ao hospital, o médico que estava atendendo informou que não tinha remédio, não tinha lugar para atender a menina, nem sabia quando ia poder atender. A menina morreu na porta do hospital. Durante o dia todo o sangue da pequena ficou esparramado na rua. Todos que vinham ver aquele sangue ficaram revoltados com aquele ato covarde do menino delinquente e pediram justiça. O sangue da menina, tal qual o de Abel, clamava por justiça. Todos ouviram o clamor que os glóbulos vermelhos exalavam. Tanto que começaram a ir às ruas, gritar palavras de ordem e não trabalharam, não venderam e não compraram. Começaram a fazer canções para lembrar o canto do Uirapuru e evocavam os velhos tempos em que viviam em sintonia com a natureza. Foram até o Covil Magnus e pediram para o governante Extra-ordinário os deixarem em paz e devolver suas riquezas.

Tudo parecia acabado para o governante, mas o próprio resolveu armar uma cilada. Começou a pagar pessoas mais fracas para dizer que os Jumentos Fabricantes – categoria que até então não se sabia que existia – estavam reivindicando por seus direitos em relação aos trabalhadores. A suposta comissão dos Jumentos Fabricantes informou que iria contratar pessoas do país dos pigmeus, porque eram mais leves, comiam menos e poderiam oferecer mais lucros. Imediatamente fizeram uma assembleia e as pessoas pararam de ouvir o clamor do sangue da menina e se concentraram nos Jumentos Fabricantes. Enquanto o povo fazia passeatas os Jumentos Fabricante não respondiam e só relinchavam. Imediatamente, o governante Extra-ordinário se ofereceu para ser um mediador entre a população de Magnus Tapadus e os Jumentos Fabricantes. Logo o governante se tornou um herói, pois conseguiu acalmar o animus exaltados da população. 

O homem ficou chorando pela perda de sua filha, mas quando suas lágrimas caíram no sangue que clamava exaustivamente por justiça no chão, viu o que restava da filha se transformar em uma planta que tinha o formato de uma orelha de jumento gigante. Sempre que o vento batia, saia um som de relincho com uma frase cantada e, por meio desta, a filha reivindicava o desejo de renomear a terra em que tinha morrido e, em sua morte, adquirindo sua nova forma. O pai triste e desconsolado enlouqueceu e passou o resto dos dias perambulando pelas ruas declamando o novo nome que a filha havia dado ao País: “Magnus Tapadus sumus”


domingo, 8 de março de 2015

FELIZ DIA DA MULHER ANINHA

ANINHA E JOÃOZINHO






Narra-dor: Hoje, dia 08 de março de 2015, é mais um dia da mulher. Um dia escolhido pelo gênero humano para se comemorar a memória de mulheres que viveram e vivem a cada dia suplantando as idiossincrasias femininas e antropológicas da vida.

Em um tempo, não muito distante, as mulheres viviam em uma estrutura patriarcal. Seus pais as criavam para procriarem e serem moedas vivas de trocas para enlaçar relações familiares. Com a mudança de pensamento, ou com a luta de diversas mulheres que venceram a si mesmo e enfrentaram seu tempo, hoje mulheres têm seus direitos e conquistam seu espaço. Felizes, fortes e donas de seu nariz. Verdade?! Sim?! Não?! Você decide.

Para ilustrar vamos ver a vida de Aninha e Joãozinho... Aninha conheceu João em um culto evangélico e já começou a traçar planos para o seu futuro. Sonhando com o vestido de casamento, cozinha e filhos. Joãozinho, logo após o acontecido, já faz o discurso imaginário para contar o feito fantástico para seus amigos. 

Enquanto isto, Aninha conversa com sua amiga Maria sobre como conheceu seu amado: _  Maria, estava assistindo o culto. O pastor falava sobre amar o próximo como a ti mesmo e diante de todas as coisas tristes que passei ao perder meu Pai e ficar sozinha com minha Mãe, vi que Joãozinho me observava. É, ele estava me observando com um sorriso alegre e acolhedor. Então sorri de volta, mas ao mesmo tempo pensei que ele jamais iria querer nada comigo. Ele é o filho do pastor presidente. É rico e tem tudo que deseja. Como é que ele vai querer ficar comigo que não tenho casa, carro e amigos influentes? É melhor me conformar com minha pobreza e esperar algo da parte de Deus.

Maria: _ Tenha calma, pode acontecer muita coisa que a gente não espera. Deus faz milagres e pode fazer alguém bem sucedido te amar. É só você deixar rolar e mostrar que está a fim dele. Ora, pede a Deus e ELE te dará o que deseja seu coração.

O coração de Aninha se regogiza e se encre de esperança. Então começar a borbulhar na mente diverso momentos de alegria e felicidade. A amiga Maria, logo que a amiga saí na porta de sua casa, começa a comentar com a Mãe: _ Imagina Mãe, Aninha acha que o Joãozinho está apaixonado por ela. Ela estava me dizendo que ele estava olhando para ela, mas imagina, um rapaz rico, filho de pastor, olhando para uma coitada daquela.


Narra-dor: Enquanto a menina Aninha sonhava com o amor, a menina Maria sonhava com a capacidade de ter a sabedoria ímpar da vida ao brincar e explorar os sentimentos de outro ser humano. E em relação ao rapaz, olha o que acontece. João conversa com o amigo Carlos sobre Aninha e ambos tiram suas impressões e decisões para as futuras ações.

João: _ Acho Ana linda, discreta e dedicada as coisas de Deus.

Carlos: _ Quem?! Aninha?! Vai nessa.

João: _ O que quer dizer?

Carlos: _ Ali é só fachada, vernis. Ela já caiu na minha rede. Nós dois estávamos saindo da igreja e ela me olhou. Não estava nem querendo nada, porque estava concentrado no culto de doutrina, mas sabe como é? É difícil resistir a uma mulher bonitinha. Então fui com ela até certo ponto da rua e dei um beijo nela. De verdade, só não aconteceu algo mais porque estávamos na rua, mas se fosse em um lugar vazio teria iro. Ela é bonitinha, mas me afastei. Sabe como é né? Sou homem, não é fácil resistir a uma mulher fácil, mas saí correndo pelo nome de Jesus. Irmão, se afasta desta mulher, ela é um caminho para a perdição. Se aproveita dela, faz o que um homem faria e depois cai fora.

João: _ Como as aparências enganam. Não acredito no que está falando, mas você é meu amigo. Não iria mentir.

Narra-dor: Quando João sai da casa de Carlos, o amigo começa a dialogar com o Pai condecendente. Já entar na sala para falar com o pai rindo.

Carlos: _ Pai, hahahaha, estava falando com o João. Ele me contou que estava querendo casar e que gostaria de conhecer a Aninha.

Pai condescendente: _ É a filha do irmão que morreu?

Calos: _ É sim Pai. Mas falei para ele que naquele dia aconteceu o ocorrido comigo, quando tentei falar com ela. 

Pai condescendente: _ E o que ele falou? 

Carlos: _ Falou que iria se aproveitar como eu e depois ignorar.

Pai condescendente: _ Está mais que certo: homem tem que ser homem.

Narra-dor: Quando o Pai sai da sala, Carlos olhava através da janela e vem a cena em que ele observou para Aninha, com olhar sacada e secante, mas a menina o ignorou e sempre muda de caminho quando o ver. Ele não se conforma, como ela pode dar moral para o João e não para ele, mas agora ela iria pagar por gostar de outro. Enquanto isto, Aninha se encontra com o João, e ele é extremamente carinhosos, tenta se aproximar de forma mais íntima. Ela fica decepcionada e se afasta. Depois de alguns dias ela sabe de nítricas de ações que não praticou e assim se segue o caminho averso. Aninha chora e conversa com sua Mãe impotente.

Aninha: _ Mãe, aquele rapaz que me enganou mentiu para mim. Agora estou triste e decepcionada. 

Mãe impotente: _ Filha, entregue a Deus. Vamos ficar quieta, porque precisamos de ajuda dos irmãos e se você falar qualquer coisa contra este homem não irão acredtirar em você, mas vamos orar e agir com prudência. Você deve estudar. Aproveite a oportunidade que Jesus te deu e um dia este rapaz se arrependerá.

Narra-dor: Aninha seguiu os conselhos da Mãe. Aguentou risadinhas. Viu homens influentes na igreja afastarem suas filhas dela, com medo das supostas más influencias e, com o tempo, ela estudou, passou em concurso e cuidou de sua Mãe. Em um belo dia, encontrou o que achava raro, um homem parecido com Jesus em ações, que não era moleque para precisar de guia de cego, mas a enxergou por si mesmo. Hoje, ambos vivem casados e felizes. Aninha é uma mulher e comemora o dia da mulher. E para quem pensa que ela poderia se revoltar contra a Igreja ou culpar o Cristianismo por ações covardes e truculentas, ela simplesmente responde: "Jesus foi o primeiro homem a respeitar as mulheres, dando à natureza humana, na terra, um exemplo de como as mulheres devem ser tratadas. Tanto que a cultura Cristã se destaca por este respeito às mulheres, mas mesmo assim, ela sabia que alguns covardes, como os Carlinhos e os Joãozinhos (menininhos da vida) 'usam' o Cristianismo de forma particular. Ele também aprendeu e nos ensina que pessoas covardes e fracas agem por aparência e fazem coisas que não convêm a um santo servo de Deus, porque pessoas assim não são servas de Deus. Ela aprendeu que com Jesus se torna forte, sem ceder a fraquezas que é peculiar a qualquer ser humano carnalizado e brutalizado pelas tristezas desta vida".

Jesus deu um dia da mulher ao falar com a Mulher Samaritana, ao ajudar a Mulher adúltera e a mostrar que mulheres, pobres e minorias "minorizadas" por gente covarde têm valor nesta terra.




Aninha rastejou como uma larva, esperou as asas fortalecerem e de seu voo sublime no dia que se tornou borboleta.



quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

A BÚSSOLA DE OURO, DE FHILIP PULLMAN (RESENHA CRÍTICA)


A BÚSSOLA DOURADA E A DIREÇÃO INCERTA



Acabo de ler a Trilogia "Fronteiras do Universo" é o sentimento que percorre minha massa cefálica é: que viagem!? Lendo esta série de livros infantis, o que posso mais uma vez perceber é que as coisas podem ser perigosas de uma forma tão doce e "inocente". Logo ao observar os títulos, depois da minha leitura e visão particular Cristã, poderia inferir que eles dizem o seguinte: sigam a direção encantada da bússola dourada, obtenham cortes sutis e traiçoeiros em sua alma que irá na direção do engano, desembocando na construção fascinante da luneta nefasta âmbar, que propiciará a magnífica visão do "nada". Resumindo: Vamos matar Deus - a suposta Autoridade do engano da Igreja - e no lugar Dele colocaremos o "Pó". Entendeu? Então vou tentar explicar.

A trilogia é composta por três livros: A Bússola de Ouro, A Faca Sutil e A Luneta Âmbar, de Fhilip Pullman.



A narrativa do primeiro livro se passa em um universo imaginário fantástico, onde há uma Universidade chamada Jordan, em Oxford, lugar onde mora a Lyra Belacqua, uma menina de 12 anos com o seu suposto tio chamado Lord Asriel. Esta inicia uma aventura fantástica quando descobre que seu melhor amigo, chamado Roger, havia sido sequestrado pelos Gobblers. Roger não fora o único menino que sumiu, posto que outras crianças da tribo chamada Gípcios - povos dos rios e pântanos - também tiveram o mesmo destino que para eles ainda era incerto. Lyra também tinha a tarefa de entregar um objeto mágico chamado A Bússola Dourada para o seu tio que estava em uma empreitada para descobrir algo sobre o poeira cósmica que eles chamavam de pó.

Neste universo fantástico em que vive Lyra, além de seu tio, os moradores da Universidade Jordan, também vão aparecendo seres fantásticos como a feiticeira Serafina Pekkala, o urso Iorek Byrnison e seu fiel amigo Lee Scoresby que possui o balão que os leva para o Norte. Além destes seres há os dimons que são praticamente as almas expostas das pessoas deste mundo. O dimon de Lyra se chama Pantalaimon e ainda era sem forma fixa, porque a garota era pequena, mas todos os adultos possuíam seus dimons com formas fixas de animais.

Ao longo da aventura, Lyra recebe o dom gratuito de ler a bússola dourada que vai adivinhando e relatando o desconhecido para a menina. E assim ela chega até seu destino. Todavia, no caminho, acaba descobrindo que seu tio na verdade é o seu pai e que sua mãe - a Sra Marisa Coulter - é na verdade a presidente dos Gobbers que tinha como objetivo sequestrar as crianças para fazer a experiência macabra de separar os dimons delas de seus corpos, antes que chegassem a idade adulta. Tudo isto a pedido da Igreja que era dominada pela grande Autoridade. Lyra consegue salvar seu amigo Roger das mãos de sua própria mãe e chega ao destino outro desejado, que era encontrar o pai para entregar a bússola dourada, mas este não desejava o objeto, mas sim o que ela não desejava dar: seu amigo.

Lord Asriel ensejava lutar contra a Igreja e o poder da Autoridade, para isto, precisava romper as fronteiras do universo, precisando fazer o sacrifício de matar uma criança, pois quando havia a separação do dimon e da pessoa, ambos morriam e, neste momento, havia uma liberação de pó que se transformava em um poder grandioso que pôde fazer uma abertura por onde Lord Asriel atravessou para outro mundo em busca de se apoderar de algo. Lyra, entre a sofreguidão da traição e na esperança de entender o pai, segue o mesmo para o desconhecido.

Para terminar a resenha crítica do primeiro livro e já direcionando para a crítica dos outros dois livros, coloco a citação inicial do livro A Bússola de Ouro:

Para dentro desse abismo agreste,
Ventre da natureza e talvez tumba,
Nem de mar, nem praia, ar ou fogo
Mas de todos esses misturados em suas causa
         prenhes
Confusamente, e em constante luta
A não ser que o poderoso criador lhes
        ordene
Seus materiais obscuros para criar mais
       mundos,
Para dentro desse abismo agreste o
      demônio cauteloso
Postou-se à beira do inferno e olhou por
      algum tempo,
Refletindo sobre a sua viagem...
                                     
                                             John Milton In: Paraíso Perdido 


terça-feira, 9 de dezembro de 2014

PALAVRAS AVULSAS OU FACADAS NA ALMA?

NARRA-DOR CONTA SOBRE ALGUNS CASAIS


Personagens:
Mulher
Marido
Narra-dor

Narra-dor: - Olá! Eu sou o narra-dor. Aquele que vai vos contar a dor. Não é fácil o meu trabalho. Vivo a contar o que sentem os outros e de tanto contar já faz parte de mim tanta infâmia. Agora segue em meus traços, olhos, nariz, boca e vista o que de minha boca se espalha. E nesta feita, irei contar a história de um casal que mora em quase todos os confins das casas do mundo. Pode mudar as raças, as tribos e as nações, mas onde habita o egoísmo, estes personagens estarão. E a história começou:



Marido: - Você não faz nada que preste. Estás ficando gorda e descuidada. Não se arruma, não compra uma roupa que preste e ainda reclama de tudo.

Mulher: - Mas o dinheiro que você me dá, só comporta as despesas diárias e quando peço para você me dar dinheiro para ir ao cabeleireiro, você diz que é besteira. Esqueceu que não trabalho. Se não me der, não poderei fazer.

Marido: -Então vai procurar um emprego mulher.

Narra-dor: - Foi difícil a peleja, por passar muitos anos sem trabalhar e se atualizar, a Mulher foi dispensada em várias das entrevistas que fez. Mas por indicação de uma amiga, meses depois, a dispensável arrumou um emprego e entre uma hora e outra de folga, eis mais uma questão.

Marido: - Chego em casa e tá tudo bagunçado. No fim de semana esta mulher está arrepiada, não se arruma. Não falava do dinheiro, agora tem e não se cuida.

Mulher: - Mas eu preciso arrumar a casa e quando termino de fazer, já acabou o fim de semana.

Marido: - Estou cansada de você. Sempre de cara feia e com mau humor. Você não pode ser como àquelas meninas do Pânico não?! Elas riem até com paralelepípedos no dedão do pé. Já tu mulher desgraçada, vive reclamando de tudo e ainda por cima, agora, depois que trabalha, não arruma a casa.

Narra-dor: - Neste momento a mulher não responde e só chora. O marido sai e ela termina suas obrigações em pranto. Tenta dissimular com óculos e vai ao trabalho. Durante todo o tempo, seus pensamentos, ou melhor, os pensamentos malignos invadem sua mente. Tentando-a parar, destruindo seus traços de mulher virtuosa. Ela ouve várias mulheres dissimuladas dizendo o quanto seus maridos, amantes e namorados são atenciosos e elas não se dedicam. Ela pode perceber. Na sua mente só tem revolta e dor. É assim que seu ser volta para casa. Sem amor, sem vida, sem paz e sem vontade de continuar.


Mulher (monólogo): - Eu não sirvo para nada. Estou feia. Envelhecendo. Meu esposo não se importa com os meus problemas, nem percebe que já estou cansada da incompreensão e o descuidado. Já nem sei se o amo. Já nem sei se me amo. Ele disse tantas vezes que não sirvo para nada, que não sou nada, que acabei absorvendo e acredito que ele está certo. Eu não sou nada. Tal como Eco, que morria de amor por Narciso, acabei me definhando por causa do narcisismo de meu esposo. Ele só pensa nele e eu também, de tanto pensar nele, esqueci de mim. Quem sou eu?! Meus cabelos, meu rosto, minhas beleza? Estou cansada de tudo. Quando ele chegar, irei colocar tudo para fora. Chega! Chegaaaa!

Narra-dor: - Quando o marido dela chega, já não é ela que está, mas o capeta que tomou o lugar no coração dela.

Marido: - Mulher, cadê o almoço?

Mulher: - Está na mesa. Coloque, porque tenho que chegar cedo no trabalho hoje.

Marido: - Você não serve para nada mesmo. Arrumou outro homem lá foi. Quem é? Quem é o caçador de múmia? (O Marido fala rindo).

Mulher: - Chega. (quebrando alguns copos que estava lavando na pia). Estou cansada de ouvir que não sirvo para nada, que estou gorda, feia e desarrumada. Por que você não vai ao centro e compra uma roupa para que possa ser, ou melhor, estar bonita? Por que você não vai ao centro é compra um perfume para poder tirar este cheiro miserável de cebola e alho disgramado? Por que você não me ajuda a lavar uma louça, para que possamos almoçar juntos e conversar. Sabia que eu sou gente, eu como, bebo, durmo e faço o dois. (Mulher começa a chorar). Por que você não percebe que gastei minha juventude e agora estou a gastar minha maturidade contigo e ainda você tem a coragem de dizer que não sirvo para nada. O nada que servi a vida toda foi você. Você é o nada que consumiu a minha vida. Estou farta de seus desaforos e maus tratos mau-rido. 

Marido: - Cala a boca mulher, senão vou quebrar seus dentes e arrancar seus cabelos de um por um. Até estes canhões que tu tem nas pernas arranco também.

Narra-dor: - Neste momento, o balão de pensamento da mulher era este: 


Marido: - Só porque arrumou um emprego acha que pode falar assim comigo. Vou te ensinar a me respeitar. Vou pegar a primeira mulher que vir na minha frente e vou mostrar que posso arrumar uma melhor que você. Aliás, qualquer mulher é melhor que você.

Narra-dor: - Ambos ficam acabados com as palavras que saem como flechas direcionadas ao coração. Destruindo o amor e o carinho. O que deveria ser um almoço para se alegrar com as dádivas da vida, auxiliando no valor de cada um, unindo-os para refletir sobre problemas existentes no mundo, torna-se um combate em que os dois saem perdendo. Eles se amam, mas a mágoa, o ego que não permite pedir perdão e perdoar, a vontade de seguir o caminho mais fácil, que converge no mais solitário, é o que prevalece. E assim, seguem o resto do dia de trabalho, na maratona da vida:



Narra-dor: - E saem os dois cada um para seu lado. Falam para família, amigos, periquitos e papagaios tudo que se passara em casa. Os amigos dizem: "Arruma uma de vinte". Amigas dizem: "Você é independente, vai vier sua vida com seus filhos". Deus, por meio das palavras de seu filho Jesus Cristo ensina: "O meu mandamento é este: que vos ameis uns aos outros, assim como eu vos amei" (João: 15:12). Eles preferem ouvir quem? Estas são veredas que nosso coração encontra todos os dias. Qual caminho a seguir? O que a maioria das pessoas que você conhece seguiu ou seguiram? E de acordo com suas escolhas, quais foram as mais sucedidas? Estou cansado de narrar a dor, por isto, nesta história, que pode ser a sua, deixarei que você escolha qual o caminho a seguir. Todavia, gostaria de contar a história de uma mulher que escolheu o caminho que Jesus ensinou. O nome desta mulher é Mônica, a mãe de Agostinho de Hipona.

Em seu livro "As confissões", Agostinho de Hipona conta que sua mãe era uma distinta Cristã, que sofrera muitas aflições com o esposo Patrício, mas ao contrário de muitas mulheres, nunca contou ou reclamou suas dores a alguém terreno, mas as contou a Deus. Seu testemunho de resignação e amor tocou o coração de marido e filho, sendo até hoje um exemplo de testemunho vivo. Ela não foi Platão, Aristóteles, José Saramago, ou qualquer escritor que criou sistemas filosóficos como os primeiros, ou ficção, como o segundo. Esta mulher marcou a história com sua vida, seguindo o caminho de amor, cuidando de sua família. Como afirmara Agostinho: "Assim era minha mãe, seu íntimo Mestre, a ensinastes da escola do coração" (AGOSTINHO, 1987, p.160).

 Depois destas história toda, quando pensar em brigar:


sexta-feira, 7 de novembro de 2014

ENTRE QUATRO PAREDES O INFERNO SÃO OS OUTROS

EXISTENCIALISMO

[...] Então, isto é que é o inferno? Nunca imaginei... Não se lembram? O enxofre, a fogueira,
a grelha... Que brincadeira! Nada de grelha. O inferno... são os outros.
Personagem Garcin
In: Entre quatro paredes, de Jean-Paul Sartre
 

Uma das frases mais intrigantes dos pensadores existencialistas é "o inferno são os outros", contida no livro "Entre quatro paredes", de Jean-Paul Sartre. Esta obra pertence ao movimento filosófico denominado existencialismo, que surgiu no meio do século XX, na Europa. Os principais pensadores do existencialismo ateu são: Jean-Paul Sartre, Albert Camus e Simone de Beauvoir. Estes pensadores desacreditavam na existência de Deus e se assumiam sua existência de forma irônica, tinham-no como opressor dos seres humanos, porque, segundo eles, Deus havia criado o mal para o mundo e o mesmo aflige com castigos.  Deus é tomado como uma criação de linguagem que deve ser rompida para que o homem possa exercer sua liberdade. Sendo assim, não existindo Deus, não há princípios éticos pautados em uma moral Cristã, mas cada ser humano iria seguir os princípios morais pautados em suas escolhas. Partindo da liberdade individual inerente a cada indivíduo, sendo uma má vontade (má fé) não assumir esta mesma liberdade. Portanto, o único erro do ser seria transferir esta escolha para outrem. Assim sendo, todos os seres humanos estão fadados à liberdade. 

Para compreendermos um pouco da visão existencialista, vamos fazer uma singela leitura da obra "Entre quatro paredes", de Jean-Paul Sartre, onde podemos ver alguns dos princípios desta cosmovisão. Em um salão, entre quatro paredes, inicia-se a peça teatral com o diálogo entre as personagens O Criado e Joseph Garcin, que era "publicista e homem de letras" (p. 6). O lugar é descrito como um salão do tipo Segundo Império, onde nada combina e o tédio é a monotonia fazem a filantropia do lugar. O Criado, de forma monótona, responde às perguntas sobre o lugar que se trata do inferno. Na segunda cena, entra a personagem Inês, que observa em silêncio o lugar, trazendo a admiração do Criado por não ouvir nenhuma interrogação. Para completar o trio e o lugar na terceira poltrona, entra Estelle. 

Por se tratar do inferno, Inês acredita que Garcin é o carrasco que iria afligi-la por suas culpas, mas este afirma não tratar deste personagem infernal. Porém, os tiques nervosos de Garcin incomodam a Inês que reclama, fazendo-o colocar as mãos no rosto. Ao entrar e ver o homem com a mão no rosto, Estelle fica apavorada, pois achava que se tratava de seu ex amante sem rosto, posto que havia se suicidado com um tiro na cara. Logo neste encontro das personagens, podemos entender o que se passa com as mesmas, por meio da forma como cada uma das mulheres veem Garcin. Cada uma o enxerga por meio de seus temores. Garcin pergunta pelos instrumentos de tortura infernais que deveriam ter no inferno. Inês pergunta pelo carrasco que iria trazer-lhes o horror, mas Estelle já se aproxima do que iria acontecer, pois teme à perseguição do seu erro expresso no homem que se matara por causa dela. 

Dando seguimento a história, cada um tem curiosidade de saber qual o fato que os teria trazido ao inferno. Cada um narra seu erro que se torna uma arma de tortura nas frases seguintes. Inês é uma mulher que odeia homens e se apaixona por Estelle, que por sua vez se apaixona por Garcin, desejando se entregar a ele, mas ele fica impossibilitado de ter um pequeno prazer no inferno, porque o olhar de Inês, que deseja Estelle sempre está sobre ele, apontando a fraqueza que fora antes confidenciada. Sempre que se aproxima de Estelle, Inês chamava Garcin de covarde, posto que morrera de forma frouxa e, em vida, aproveitava-se para tortura sua esposa. Desde as confidências de início, até o fim da peça, tornam-se cada um o inferno para o outro. Como podemos ver neste breve diálogo onde Garcin e Inês brigam: 

INÊS – (Encarando-o sem medo, mas com enorme surpresa) Ah! (Um tempo) Esperem aí. Agora compreendo, agora sei porque nos puseram juntos. GARCIN – Tome cuidado com o que vai dizer. INÊS – Vão ver como é tolo. Tolo como tudo. Não. Não existe tortura física, não é mesmo? E, no entanto, estamos no inferno. E ninguém mais chegará. Ninguém. Temos que ficar juntos, sozinhos, até o fim. Não é isso? Quer dizer que há alguém que faz falta aqui: o Carrasco (p. 13)

A leitura concernente ao existencialismo que podemos fazer é que Sartre transforma um elemento de simbologia Cristã em um evento prosaico do cotidiano, ou seja, o inferno não é um lugar onde há seres metafísicos que atormentam os homens pelos seus pecados, mas são as escolhas das personagens que se tornam armas de torturas. Porém, por que isto acontece? Se o universo existencialista buscava ser livre de culpa e afirmava que toda escolha feita pelo homem é boa, como pode ser estas escolhas serem elementos de culpa para o inferno criado na obra de Sartre? Se há culpa, então não conseguiu o existencialismo se livrar do pressuposto dos erros expressados na Bíblia?! E indo ainda mais adiante, podemos dizer que há uma contradição na afirmação satriana de que seria o homem incapaz de fazer uma escolha ruim. Como vemos, as personagens cometeram crimes por vaidades, foram incapazes de exercer sua liberdade com boas escolhas. Estelle trai o marido e tem um filho com o amante, mas mata a criança na frente do jovem que não suporta a cena grotesca e se suicida. Garcin, por sua vez, havia traído sua pátria, mas antes, havia destruído a vida da mulher de desgosto, com maus tratos verbais e traições explícitas, chegando ao ponto de ter como amante a própria empregada, fazendo a esposa lhes servir café na cama maculada. E Inês havia matado um homem com a sua amante. Todas as escolhas das personagens foram ruins, tanto que as mesmas se tornaram o inferno pessoal de cada um.

O existencialismo afirma que somos nós que nos tornamos o que somos. "Para os seres humanos a existência precede a essência; as pessoas fazem de si mesmas o que são" (SIRE, 2009, p147). O que podemos perceber é que "os outros", como se vê na peça, são apenas os espelhos que fazem os seres humanos verem a si mesmo. Em um momento do diálogo, Estelle deseja passar batom, mas no inferno não há espelho, então Inês se oferece para que a outra possa se ver por meio do espelho de seus olhos. Mas Estele teme a subversão de sua imagem pela outra. E afirma que o espelho que ela usava em vida era material domesticado.

Com minha pequena visão, posso dizer que o homem sem Deus é o mais miserável dos seres. Porque ele irá perder o Norte de boas escolhas, como aconteceu com as personagens, e não terá um remidor para a consumação inerente por seus pecados. Como afirma o próprio Camus, em seu livro "A queda": "Para qualquer pessoa que está sozinho, sem Deus e sem um mestre, o peso dos dias é terrível" (In: Enciclopédia de Apologética, de Norman Geisler). Ainda na mesma Enciclopédia Apologética, podemos felizmente aprender que o próprio Sartre se voltou para o Deus que havia renegado na sua mocidade: 

[...] Dois homens, Alain Larrey e Michael Viguier, que viviam em Paris em 1980, relatam que, dois meses antes de morrer, Sartre comentou com seu médico católico que 'se arrependia do impacto que suas obras tiveram sobre os jovens', lamentando que tantos 'as tivessem levado tão seriamente' (p. 799), por causa disto, recebeu o apelido - de sua ex amante Simone de Beauvoir - de "Vira-casaca".
 

sexta-feira, 24 de outubro de 2014

CONTO DE FADAS BÍBLICO: BOAZ O REMIDOR DE RUTE

RUTE E SUA CORAGEM


Na Bíblia há a história de Rute, uma jovem que perdera seu marido, fora acometida por grandes adversidades, mas manteve sua dignidade e amor ao próximo, tornando-se uma das mulheres mais importantes da Bíblia e, também, fazendo parte própria descendência de Jesus.

Resumidamente, o livro de Rute conta a história da família de Elimeleque, que fora para os campos de Moabe, devido a uma grande seca que havia tocado a terra de Israel. Neste lugar, Elimeleque acaba morrendo juntamente com seu filhos Malom e Quilion, deixando sua esposa Noemi e noras Orfa e Rute viúvas. Noemi manda suas noras voltarem para suas mães, podendo assim desfrutar da proteção de novos maridos na terra de seus familiares. As duas jovens choram e não querem se apartar da sobra, porém, Noemi declara os fatos de forma amargurada, fazendo com que Orfa se despeça com um singelo beijo, mas Rute não se aparta de sua sogra dizendo as seguintes palavras "Não me instes para te deixar 'e me afaste de ti; porque, onde quer que tu fores, irei eu e, onde quer que pousares à noite, ali pousarei eu; o teu povo é o meu povo, o teu Deus é o meu Deus. Onde quer que morreres, morrerei eu e ali serei sepultada, se outra coisa que não se a morte me parar te ti" (RUTE, 1:17 ao 17). 

Ao chegarem em Israel, muitos se comovem com a desgraça de Noemei, tanto que a mesma declara seu fracasso mandando que a chamem de Mara, porque significava ser portadora de amargura que o Senhor a tinha proporcionado. Neste momento da história, podemos perceber o quanto é imprudente reclamarmos pelos caminhos que o Senhor Deus está nos fazendo trilhar, posto que  não sabemos quais são os seus propósitos. Seguindo a narrativa, as mulheres buscam vencer o luto e dar continuidade à vida. Rute sabe da existência do parente próximo de Elimeleque chamado Boaz, descrito como homem "valente e poderoso". Nas terras deste homem Rute vai colher espigas para alimentar ambas. Logo os olhos de Boaz são tomados pela figura de Rute e logo pede informação a um moço a respeito da jovem, o mesmo responde se tratar da Moabita que viera de sua terra para acompanhar a desventurada Noemi.

QUANDO UM HOMEM AMA UMA MULHER

Rute e Boaz travam um diálogo, ela pede permissão para que possa colher espigas em suas terras. Boaz permite que ela colha espigas em suas terras, em contrapartida, pede para que ela não se afaste de seus campos, para que nenhum homem possa importuná-la.

Boaz reconhece a virtuosidade de Rute que deixara sua parentela e pátria para acompanhar Noemi, por isto afirma que Deus iria lhe dar galardão por seu feito. Devemos entender que a família de Rute estava em terra natal, ao contrário de Noemi, que era estrangeira na terra de Rute e lá perdera seu marido e filhos. Rute sentia que Noemi precisava muito mais dela do que sua família e espiritualmente falando, o Deus de Noemi falara ao coração de Rute, fazendo-a se compadecer e amar a mesma. Noemi não percebia, mas Rute era a expressão do amor de Deus, posto que mesmo sendo jovem e com medo de ficar viúva e desprotegida, ela rompeu todos os fatos mais prováveis que poderiam lhe acontecer, para não deixar só uma pessoa amada que agora estava desprotegida e sozinha. Boaz percebia o ato, ao perceber as condições de desventura que uma mulher jovem e viúva poderia vir a passar em um mundo adverso, por isto, trata logo de ajudá-la com provisão e proteção. Mais suas intenções vão além de admiração. Podemos inferir que há um início de paixão e amor de Boaz por Rute,  pois mesmo sendo de uma posição elevada, voltara-se para uma mulher que nem era sua serva e não fazia parte de suas responsabilidades. Estes atos de proteção e provisão acabam por chamar a atenção de Rute que diz: " Ache eu graça em teus olhos, senhor meu, pois me consolas-te e falaste ao coração de tua serva, não sendo eu nem ainda como uma das tuas servas" (RUTE, 2:12).

O que podemos aprender com Rute é que devemos amar e cuidar das pessoas, não deixando de seguir com honradez. Fazer o bem e ajudar sempre nos levará a um caminho de galardão. O fato dela ajudar Noemi, de início parece um caminho que a levaria à tristeza e desalento, mas são justamente estes atos de coragem que a levam a um lugar de destaque. O que aprendemos com Boaz é muito lindo, pois nele percebemos o que realmente é ser um homem de verdade. Boaz é "valente e poderoso", mas não usa seu poder de forma injusta e covarde, ao contrário, ele ajuda duas mulheres necessitadas, não se tornando omisso a situação delas nem agindo de forma irresponsável, deixando-as nas mãos de prováveis aproveitadores, mas da mesma forma como Cristo fez e faz pela sua igreja, Boaz protege.

Rute volta para sua casa, encontra-se com Noemi e conta que conhecera Boaz. A sogra logo percebe que poderia haver uma possibilidade de ajudar Rute e orienta para que ela demonstre interece em relação a Boaz, porque este era parente próximo e, como era costume dos Israelitas, ele poderia tomá-la como esposa para remir da vida de viúva. Neste momento da narrativa, percebemos as maiores provas de amo de Boaz por Rute. Seguindo as indicações de sua sogra, Rute se deita aos pés de Boaz, quando ele acorda se assusta e pergunta quem é, ela responde ser Rute, demonstrando seu interesse de que ele a tome como sua esposa ao dizer: "estende pois tua aba sobre a tua serva, porque tu és remidor" (RUTE, 3:9). Boaz promete casar com Rute, mas não a toma naquele momento para si, pois sabia que se fizesse isto estaria desgraçando a honra de Rute, pois tinha conhecimento que antes dele havia outro remidor. O ato de Rute de pedir que ele colocasse a aba sobre si era um pedido de amor e proteção. Coisa que muitas jovens colocam hoje sobre homens covardes, que usam sua posição para humilhar e desprezar o amor e o pedido de cuidado das jovens. É preciso ser muito "Boaz" para entender a responsabilidade de ser um homem e agir como um homem. Boaz não se aproveita de sua posição para se mostrar o gostosão de Israel, expondo Rute para a comunidade, ao contrário, ele pede para que ela se cubra, dá-lhe alimento e promete que irá lutar para casar com ela. Ele faz o que todo homem deve fazer: proteger, cuidar e amar. 

Depois que fala com o primeiro na lista de remidores de Rute, sabendo que ele não quer a responsabilidade dela para si, Boaz declara aos quatros quantos de Israel que irá casar com a Moabita que viera com Noemi. Aqui percebemos que Boaz acaba com todo por nos ilustrar todo ciclo de responsabilidade que um homem deve ter para com sua amada. Ao longo da história, Boaz percebe as necessidades de Rute que precisava de proteção, por ser uma mulher solitária, estrangeira e desprotegia; em seguida se torna mantenedor, porque sabe que a jovem não tem marido para pelear por ela, dando-lhe alimento que servirá para ela e sua sogra e por último, não se aproveita da declaração de amor dela, muito menos se aproveita da situação de fragilidade, mas ao contrário, declara que a tomará por esposa e a honra diante de Deus e dos homens.

O que aprendemos com o livro de Rute é simples, mas de grande proveito. Podemos entender que quando um homem ama uma mulher, ele protege, a ajuda em suas necessidades e a honra diante dos homens. Não se aproveita de sua posição para se mostra diante das pessoas, muito menos se tratando de uma viúva desprotegida em terra estrangeira. Vemos que quando uma jovem demonstra certa fragilidade em nossa sociedade, logo é tomada como fácil e machos fracos logo tratam de justificar suas "fraquezas" com covardias e maledicências, mas um homem de Deus olha com o olhar de Jesus e com compaixão ama e cuida. Jovens, leiam este livro e percebam o que é um verdadeiro homem de Deus para sua vida. Busque nas ações o seu Boaz. Não em beleza, mas em ações. Saibam que a beleza acaba e logo se perde dentro de um corações, quando só há maus tratos e falta de cuidados, mas um homem amoroso e cuidadoso faz nossa pele mais bela e nosso sorriso se tornar mais radiante de amor a cada dia.

Indo mais adiante, o livro nos mostra o amor de Deus pela humanidade. A mulher escolhida por Deus para dar início a descendência da raiz de Jesus, que é o Rei Davi, foi uma estrangeira Moabita. Uma mulher que tinha tudo para não ser escolhida por um homem de Israel como Boaz, mas, ao mesmo tempo, Deus não toma para sua obra de amor e compaixão qualquer um. Quem poderia ter sido o remidor de Rute e por consequência o bisavô de Davi era outro, mas este quando olhou que para herdar a terra de Elimeleque, teria que casar com uma viúva desistiu, então perdeu o bobão a honra de casar com a bisavó de Davi. Uma mulher que é honrada e juntamente com seu marido Boaz, faz parte da história do mundo. Aprendemos com isto que devemos ser corajosos, amando como Rute, sem olhar as circunstâncias e devemos ser humildes e fortes para proteger, cuidar e amar como Boaz. 

Depois de muito sofrer e penar meu Deus me deu o meu Boaz, meu marido que amo muito. Para mim era impossível, pois muitas vezes me vi como Rute: desprotegida, carente financeiramente e sentimentalmente falando, mas meu Deus retirou de mim o canto de Mara e me fez bem aventurada. Nosso Deus não mudou, ELE é o mesmo em todas as histórias.


sábado, 12 de outubro de 2013

SONHOS...





                  
                        Sonhos são como rosas: quando paramos de regá-las, elas murcham





Ela sonhava, ela sonhava. Lia a Bíblia e imaginava que em sua vida iria aparecer um Boaz, que assim como fez com Rute, iria protegê-la dos homens sem honra, que proveria, dando-lhe mantimento e por último a honraria diante da sociedade para depois possui-la. Ela sonhava que sendo obediente como foi Ester, ela seria apreciada e amada por um Assuero e assim, teria se tornado uma espécie de rainha, mesmo sendo simples, mas uma rainha de um homem que a amava. Porém, sonho é sonho.
           
Ela acordou. Com um estalo de realidade, percebeu que não havia Assuero nem Boaz naquele homem que ela amara e que confiara. Entregou-se, esqueceu-se de esquecer que o homem que ama não diz, faz. Ela foi ingênua, ela foi confiante, ela projetou seu ser insignificante de mulher boba apaixonada naquele ser malicioso.
          
Ela foi tomada pela capacidade de ser mãe. Ela carregou dentro do ventre durante nove meses o fruto do amor que achara ser a parte de duas maçãs, mas era apenas a parte esfacelada do amor dela. Ela era uma coitada. Todos a olharam de lado. Se pudessem, como fizeram com a adúltera, apedrejariam. Mas ela não tinha um Davi que defendeu a sua amada Batseba. Ela não tinha Jesus que protegeu a adúltera de forma física, mas espiritualmente o Mestre não a deixou só. Ela tinha somente um homem de mente fraca, dominado pela cultura de pessoas de ideias fracas, que a fadaram ao fato de mulher sem valor, pelo simples fato de ter valorizado alguém que ela considerava um homem.
        
Ela viu seu amado casar com uma mulher que era filha de pastor, protegida por uma moral de uma massa que determinou que aquela mulher era decente: ela não. Ela era uma mulher Dalila, era uma mulher Jezabel. Dalila e Jezabel eram mulheres que não amavam, mas ninguém viu que aquela mulher amava, amava tanto que acreditou no amor de outra pessoa por ela.
       
Ela entrou em seu quarto, olhou para sua cria que lhe deu vontade de viver mais um pouco. Deu-lhe força para continuar na vida por um momento. Ela aguentou as afrontas, as pequenas pedradas de palavras que doiam mais que paralelepípedos. Ela foi tentando não morrer mais um puco a cada dia, para transmitir a sua cria um pouco de esperança. Ela se tornou a titia da igreja. Ela era a repudiada do século XXI. 
       
Tantos caminhos ela tinha: poderia estudar, trabalhar de forma forte, adquirir o respeito de quem sabe respeitar, pois quem respeita, respeita uma prostituta como respeita um presidente; mas quem não respeita, arruma desculpa para desrespeitar a qualquer pessoa. Mas ela não podia. Ela não sabia como lutar contra aquela nuvem de facas jogadas contra seu coração. A noite, as lágrimas desciam de seu rosto como cachoeiras, o desespero de nunca entrar de véu e grinalda na igreja a deixaram cada dia mais triste. Ver filhas de pastor, de caráter totalmente perverso casar, somente porque o homem iria adquirir um status quo, a deixou mais triste ainda. Quem era ela? Uma filha de viúva. Quem era ela? Nada!
     
Jesus morreu na cruz por ela, mas a igreja esqueceu deste detalhe e isto acabou apagando da mente dela também, até que um dia, sem que pudesse perceber, sua filha estava grande e seguiu seu caminho. Ela velha, mais do que a idade tinha imposto. Resolve ir. Foi ao encontro do noivo que a esperava. O que aconteceu na igreja? Todos disseram: "castigo". Todos esqueceram que também são humanos e tem pecados. Todos foram juízes da lei dela durante a vida e na morte. Somente no trono branco possa provar o valor daquela mulher, como será provado o valor dos grandes homens e mulheres de Deus que morreram como mártires, mas para a sociedade eles não tiveram valor.